O fechamento da vergonhosa prisão para presos políticos em Guantánamo é um indicativo positivo da distinção de abordagem para a Política Externa que o novo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, promete adotar em relação ao Governo de seu predecessor na Casa Branca, o famigerado George W. Bush. Mas é prudente não se entusiasmar em demasia. Ainda é cedo para vislumbrar os rumos das decisões americanas neste campo.
A situação de cada um dos 245 detentos de Guantánamo sofrerá um “reexame rápido e meticuloso”, segundo o decreto divulgado por Obama no último dia 21. Há presos de níveis mais ou menos perigosos, 14 deles com processo judicial já iniciado pela Justiça Americana. As comissões militares indicadas para julgar estes encarcerados foram extintas. E ainda não está decidido a quem caberá avaliar e encaminhar os casos. Novos “meios jurídicos” estão sendo estudados, segundo reportou o diário francês Le Monde.
Há também o caso da prisão de Bagram, no Afeganistão. Encravada em local que os EUA consideram “campo de batalha”, os 630 prisioneiros têm seus direitos fundamentais insistentemente violados. 4 deles conseguiram solicitar à um Juiz Federal a possibilidade de obterem os mesmos direitos dos presos de Guantánamo, qual seja, a de contestar sua detenção diante da justiça civil. Mas como o Novo Governo já havia previamente definido a região do Afeganistão/Paquistão como foco dos seus esforços militares, não se deve aguardar grandes demonstrações de “simpatia” por parte do Governo Obama para com estes detentos.
A comunidade internacional deve estar vigilante e continuar ou aumentar as pressões para que não se permita que o centro de detenção em Bagram transforme-se em um novo Abu-Graib.. E cobrar de Obama, Hillary e cia. a adoção de medidas semelhantes às que foram recentemente definidas para Guantánamo, aliado a subsequentes progressos em matéria de respeito à Convenção de Genebra e outros acordos internacionais de mesmo cunho humanista, tão em baixa nos recentes movimentos político-militares internacionais.
Um tratamento digno para todos os seus detentos, seja qual for a sua origem, as suas acusações, ou o local onde estejam instalados, é o mínimo que se espera da postura política de um País que se auto-intitula fundador e, em tempos idos, podia se orgulhar de ser considerado o supremo dignatário da consciência democrática universal.
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28.1.09
24.1.09
Hijos de la Putana
Infelizmente, já virou moda. Brasileiros ao desembarcarem na Espanha são barrados e humilhados pelas autoridades locais. A vítima da vez foi o cantor, violonista e compositor carioca Guinga, de reconhecimento internacional. Segundo nota divulgada nesta semana na Revista Istoé, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Madri, ele teve os seus pertences roubados na esteira do detector de metais.
Guinga tentou fazer uma queixa, mas a Polícia espanhola não quis registrar a ocorrência. Com isso, o brasileiro se exaltou, elevando o tom de voz com os gambés. A resposta foi singela: um soco na boca dado por um brucutu fardado que lhe arrancou dois dentes. E a história ficou por isso mesmo. O Itamaraty diz ter enviado um fax, ou email, sei lá, com uma "solicitação de esclarecimentos" ao Ministério das Relações Exteriores da Espanha. Nada além disso.
Enquanto isso, brasileiros e brasileiras continuam a sua sina pelos aeroportos daquele país. Há semanas atrás um grupo de voluntárias católicas foi barrado no mesmo Aeroporto de Madri. Segundo as autoridades responsáveis, elas não haviam apresentado toda a documentação necessária para permanecer na Espanha. O detalhe é que elas estavam fazendo escala e o destino final era a Alemanha. E, segundo informações dadas pela própria Igreja germânica, as freiras realmente estavam sendo aguardadas. Mas, ainda assim, os gentis servidores da força policial madrilenha negaram a sua "entrada" e elas tiveram que aguardar horas para serem liberadas para retornar ao Brasil. Segundo o relato de uma delas, o tratamento dado aos brasileiros em geral é profundamente mal-educado. E os policiais, por vezes, chegam a zombar dos nossos conterrâneos, dizendo, às gargalhadas, que brasileiros só entram na Espanha no dia em que o seu Chefe está de bom humor.
O Governo brasileiro pouco se importou até o momento. E me parece que não está muito disposto a tomar medidas mais drásticas. O que deixa a gente mais irritado, pra não dizer revoltado, é que essa passividade toda é muito, mas muito, provavelmente, devido ao receio que o Governo Federal tem de criar problemas com os grandes conglomerados e empresas espanholas que "investem" no país, como o Banco Santander, a Telefonica e a Repsol, para o qual os nossos caríssimos políticos sempre abanam o rabo, ao vislumbrar as suas burras recheadas de euros. Segundo a Agência EFE, a Espanha é o segundo país que mais investe no Brasil, atrás apenas dos EUA (Dados de 2007).
Confira as notícias relacionadas, clicando aqui, aqui e aqui.
Guinga tentou fazer uma queixa, mas a Polícia espanhola não quis registrar a ocorrência. Com isso, o brasileiro se exaltou, elevando o tom de voz com os gambés. A resposta foi singela: um soco na boca dado por um brucutu fardado que lhe arrancou dois dentes. E a história ficou por isso mesmo. O Itamaraty diz ter enviado um fax, ou email, sei lá, com uma "solicitação de esclarecimentos" ao Ministério das Relações Exteriores da Espanha. Nada além disso.
Enquanto isso, brasileiros e brasileiras continuam a sua sina pelos aeroportos daquele país. Há semanas atrás um grupo de voluntárias católicas foi barrado no mesmo Aeroporto de Madri. Segundo as autoridades responsáveis, elas não haviam apresentado toda a documentação necessária para permanecer na Espanha. O detalhe é que elas estavam fazendo escala e o destino final era a Alemanha. E, segundo informações dadas pela própria Igreja germânica, as freiras realmente estavam sendo aguardadas. Mas, ainda assim, os gentis servidores da força policial madrilenha negaram a sua "entrada" e elas tiveram que aguardar horas para serem liberadas para retornar ao Brasil. Segundo o relato de uma delas, o tratamento dado aos brasileiros em geral é profundamente mal-educado. E os policiais, por vezes, chegam a zombar dos nossos conterrâneos, dizendo, às gargalhadas, que brasileiros só entram na Espanha no dia em que o seu Chefe está de bom humor.
O Governo brasileiro pouco se importou até o momento. E me parece que não está muito disposto a tomar medidas mais drásticas. O que deixa a gente mais irritado, pra não dizer revoltado, é que essa passividade toda é muito, mas muito, provavelmente, devido ao receio que o Governo Federal tem de criar problemas com os grandes conglomerados e empresas espanholas que "investem" no país, como o Banco Santander, a Telefonica e a Repsol, para o qual os nossos caríssimos políticos sempre abanam o rabo, ao vislumbrar as suas burras recheadas de euros. Segundo a Agência EFE, a Espanha é o segundo país que mais investe no Brasil, atrás apenas dos EUA (Dados de 2007).
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20.1.09
10.1.09
With God On Our Side (1963)Com Deus do Nosso Lado
Letra e Música: Bob Dylan
Oh my name it is nothin' my age it means less
Oh, meu nome não importa, minha idade, menos ainda
The country I come from is called the MidwestO país de onde eu vim se chama Meio Oeste,
I's taught and brought up there the laws to abide
Lá eu fui ensinado e criado para as leis obedecer
And that land that I live in has God on its sideE esta terra em que vivo tem Deus do seu lado
Oh the history books tell it they tell it so well
Oh, os livros de história contam, eles contam tão bem
The cavalries charged the Indians fell

Os ataques da cavalaria e os índios que caíram
The cavalries charged the Indians died
Os ataques da cavalaria e os índios que morreram
Oh the country was young with God on its side

Oh, o país era jovem com Deus do seu lado
Oh the Spanish-American War had its day
Oh, A Guerra Espanhola-Americana teve seu dia
And the Civil War too was soon laid away

E a Guerra Civil também logo se foi
And the names of the heroes I's made to memorize
E os nomes dos heróis fui obrigado a memorizar
With guns in their hands and God on their sideCom armas em suas mãos e Deus do seu lado
Oh the First World War, boys, it came and it went
Oh, A Primeira Guerra Mundial, rapazes, veio e se foi

The reason for fighting I never got straight
A razão para lutar, eu nunca entendi
But I learned to accept it accept it with pride
Mas aprendi a aceitá-la e aceitá-la com orgulho
For you don't count the dead
Pois não se contam os mortosWhen God's on your side
Quando Deus está do seu lado
The Second World War came to an end
A Segunda Guerra chegou a seu fim

We forgave the Germans and we were friends
Perdoamos os alemães e nos tornamos amigos
Though they murdered six million
Embora eles tenham matado seis milhões

In the ovens they fried
Nos fornos, eles fritaram,
The Germans now too have God on their side
Os alemães agora também têm Deus ao seu lado
I've learned to hate Russians
Fui ensinado a odiar os russos

All through my whole life
Por toda minha vida
If another war comes it's them we must fight
Se outra guerra começar, são eles que iremos enfrentar
To hate them and fear them to run and to hidePara odiá-los e temê-los, para correr e se esconder,
And accept it all bravely with God on my side
E aceitar tudo bravamente, com Deus ao meu lado
But now we got weapons of the chemical dustMas agora temos armas de poeira química
If fire them we're forced to then fire them we must
Se obrigados a atirá-las, então atirá-las devemos
One push of the button and a shot the world wide
Um apertar de botão, e explode-se o mundo inteiro
And you never ask questionsE você nunca faz perguntas,
When God's on your side
Quando Deus está do seu lado
Trough many dark hour I've been thinkin' about this
Na hora da escuridão, ando pensando sobre isso:
That Jesus Christ was betrayed by a kissQue Jesus Cristo foi traído por um beijo
But I can't think for you, you'll have to decide
Mas não posso pensar por você, é você que precisa decidir:
Whether Judas Iscariot had God on his side Se Judas Iscariotes tinha Deus do seu lado
So now as I'm leavin'
Então, estou indo agora,
I'm weary as Hell(porque) estou cansado pra diabos.
The confusion I'm feelin' ain't no tongue can tell
A confusão que sinto, nenhuma língua conseguiria descrever
The words fill my head and fall to the floorAs palavras enchem minha cabeça e se derramam sobre o chão:
If God's on our side he'll stop the next war
Se Deus está do nosso lado, ele impedirá a próxima guerra
28.11.08
Obstrução: sf (lat obstructione) 1 Ato ou efeito de obstruir. 2 Med Entupimento, obturação. 3 Med Embaraço nos vasos ou canais de um corpo animado. 4 Polít Embaraço sistemático da minoria ao andamento dos trabalhos legislativos; obstrucionismo. 5 Oposição propositada. (Dicionário Michaelis)
Moda agora entre os nossos caros representantes eleitos é obstruir: o Governo não atendeu às reivindicações de liberação de verba? A oposição obstrui a próxima votação. A situação deseja adiantar discussão de um determinado projeto em nome de sua "relevância para o país"? Obstruem-se todos os projetos predecessores enviados por oposicionistas. Discordou-se de determinado ponto de uma proposta, obstrui-se tudo...
Faz lembrar dos tempos de menino, quando o dono da bola a punha debaixo do braço, franzia a testa, mostrava o beiço e acabava com a pelada quando não era escalado para jogar "na linha".
A última é que a votação da Reforma Tributária deve mais uma vez ser adiada para o próximo ano, em razão dos "trancamentos de pauta" propiciados pelas Medidas Provisórias. Os deputados da oposição obstruirão a votação da Reforma, alegando que o excesso de medidas próvisórias em tramitação pelo Congresso atrasou a votação do Orçamento Geral da União para 2009. E esta teria prioridade sobre a votação da Reforma Tributária, cuja discussão se inviabilizaria para Dezembro em razão de sua complexidade e importância.
Como representantes do povo, eu esperava que estes senhores tivessem uma capacidade, no mínimo razoável, para a negociação. A própria etimologia da palavra parlamentar sugere esta habilidade. Não é o que se vê. O que temos são deputados e senadores reticentes e obtusos que, ao invés de contribuir para a célere resolução das grandes questões nacionais, digladiam-se obstinadamente pelo "trancamento" ou "destrancamento" de pautas. Passando, ano a ano, a legislar sobre quase nada.
Parecem, no fundo, não se importar com o conteúdo e relevância da implementação das leis que, despudoradamente, tardam em votar. Preocupam-se, sim, em não "perder terreno" para o crescimento dos adversários políticos. Optando, em tempos de hiper-valorização midiática, pelo discurso tergiversante em detrimento da ação política construtiva e eficaz.
Há poucos dias atrás, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em última instância, que o mandato parlamentar não pertence ao candidato eleito, e sim ao partido ao qual este é filiado. Cabia lembrar porém que, mais importante do que indicar a quem pertence o mandato, é considerar que o interesse primordial a ser atendido em todas as questões debatidas no Congresso Nacional é o do povo. E este princípio não pode ser, de modo algum, passivo de qualquer obstrução.
Moda agora entre os nossos caros representantes eleitos é obstruir: o Governo não atendeu às reivindicações de liberação de verba? A oposição obstrui a próxima votação. A situação deseja adiantar discussão de um determinado projeto em nome de sua "relevância para o país"? Obstruem-se todos os projetos predecessores enviados por oposicionistas. Discordou-se de determinado ponto de uma proposta, obstrui-se tudo...
Faz lembrar dos tempos de menino, quando o dono da bola a punha debaixo do braço, franzia a testa, mostrava o beiço e acabava com a pelada quando não era escalado para jogar "na linha".
A última é que a votação da Reforma Tributária deve mais uma vez ser adiada para o próximo ano, em razão dos "trancamentos de pauta" propiciados pelas Medidas Provisórias. Os deputados da oposição obstruirão a votação da Reforma, alegando que o excesso de medidas próvisórias em tramitação pelo Congresso atrasou a votação do Orçamento Geral da União para 2009. E esta teria prioridade sobre a votação da Reforma Tributária, cuja discussão se inviabilizaria para Dezembro em razão de sua complexidade e importância.
Como representantes do povo, eu esperava que estes senhores tivessem uma capacidade, no mínimo razoável, para a negociação. A própria etimologia da palavra parlamentar sugere esta habilidade. Não é o que se vê. O que temos são deputados e senadores reticentes e obtusos que, ao invés de contribuir para a célere resolução das grandes questões nacionais, digladiam-se obstinadamente pelo "trancamento" ou "destrancamento" de pautas. Passando, ano a ano, a legislar sobre quase nada.
Parecem, no fundo, não se importar com o conteúdo e relevância da implementação das leis que, despudoradamente, tardam em votar. Preocupam-se, sim, em não "perder terreno" para o crescimento dos adversários políticos. Optando, em tempos de hiper-valorização midiática, pelo discurso tergiversante em detrimento da ação política construtiva e eficaz.
Há poucos dias atrás, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em última instância, que o mandato parlamentar não pertence ao candidato eleito, e sim ao partido ao qual este é filiado. Cabia lembrar porém que, mais importante do que indicar a quem pertence o mandato, é considerar que o interesse primordial a ser atendido em todas as questões debatidas no Congresso Nacional é o do povo. E este princípio não pode ser, de modo algum, passivo de qualquer obstrução.
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