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24.7.10

Livro: Like a Rolling Stone - Bob Dylan na Encruzilhada


Estou lendo o livro "Like a Rolling Stone - Bob Dylan na Encruzilhada" de Greil Marcus, lançado pela Cia da Letras. O livro disseca esta canção, considerada, até pelo próprio Dylan, como a sua grande obra-prima. Assim como, também, e principalmente, explica todo o contexto que a cercou antes e depois de seu lançamento em 1965. Achei a tradução (de Celso Paciornik) meio estranha. Alguns trechos não se encaixam muito bem, estilisticamente falando. Mas o conteúdo é interessantíssimo e, para quem é fã do "Robertão" de Hibbing é, realmente, imperdível!

11.2.10

Por que o contato com a ficção é tão importante?

"Os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representadas pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade."

Tzvetan Todorov, filósofo búlgaro, em entrevista à Bravo! deste mês.

28.1.10

Um universo no quintal

Quase concluindo o Grande Sertão: Veredas.

É a primeira vez que sinto uma estranheza por uma coisa ser próxima a mim. A gente viaja em leituras e descobre mundos distantes, mas quando vem um cara como o Rosa e fala dum mundo que é nosso (Eu sou de lá: do sertão. Ou, daqui do sertão. Como queiram..), a gente dá uma baqueada, sabe...

A grandeza do Rosa, do Riobaldo, das Gerais, da língua... Tudo é grande! É um encontro com algo que já conhecemos. É como descobrir um universo no quintal de casa... E que, por tabela, faz a gente descobrir nossas próprias imensidões... Como diria o Riobaldo: "O sertão é dentro da gente."

28.8.09

Faulkner e seus meandros

Primeiro li Palmeiras Selvagens. Agora estou lendo O Som e A Fúria. Mas ainda estou por descobrir os caminhos de Faulkner. Aparentemente, a leitura não é complicada. Ele não usa um vocabulário muito empolado. Só que a simplicidade pára por aí. A estrutura do texto te entorta inteirinho! Os meandros de Faulkner são meio inextrincáveis. Os acontecimentos se misturam sem uma ordem muito clara. É uma literatura líquida, sabe...

As histórias parecem corriqueiras. Mas só parecem. Você sabe que ele não põe uma vírgula gratuitamente. E a gente fica numa tentativa de desvendar o que há por trás de cada diálogo, de cada fato ou fatalidade... Sabe quando nos perguntamos assim: “Por que Deus permite que esse tipo de coisa aconteça?”. Com Faulkner seria: “Por que ele permite que eu saiba esses pormenores e esconde outros?” No fim, fica a mesma sensação com ambos: o que esse cara está tentando me dizer???

Acredito que quando eu chegar lá, pode ser uma grande revelação. Acho que o grande barato de Faulkner era botar essa pulga atrás da orelha de cada leitor. Deixar ele inquieto. Desconfiado. Como se quisesse mostrar que as aparências sempre, sempre, sempre enganam. E que há algo misteriosamente maior por trás de cada banal acontecimento.

9.6.06

Bandini Forever

Como eu comentei no blog do Marião, não acho que este Pergunte ao Pó vá me agradar muito. Mas mesmo assim eu vou lá pra ver. A gente sempre tem a esperança de que as coisas saiam exatamente como a gente imagina [E isso pode ser surpreendente!].

Acho que se fosse para escolher um Bandini ideal não seria o meu, nem o do Marião. Talvez nem o do próprio Fante! Para mim, sem dúvida nenhuma, o Bandini mais apaixonante que eu conheci foi o da Clarah Averbuck. Vez por outra ela clamava pelo seu herói em seu extinto brazileirapreta!. Apesar de andar meio sumida, esta "nova escritora" ainda exerce uma boa influência na "blogosfera" e confesso que foi a minha principal inspiração quando criei pela primeira vez o "nada vezes nada", agora ressucitado. O seu Arturo Bandini faz a gente torcer tanto, mas tanto para que tudo dê certo que, meio sem querer, passamos a acreditar e a ter esperança em tudo o mais na vida. Porque, afinal, o sujeito sempre se fode, mas a gente nunca desiste de torcer por ele.

Vida longa ao Bandini, o nosso herói!