29.9.09

Setembro


Poxa, ando bem ocupado ultimamente! Não gosto de ficar muito tempo sem postar, mas é que, realmente, não tem me sobrado muito tempo... Tanto no trabalho, quanto em casa, quanto fora, este mês foi bastante agitado.

De bom, posso dizer que tenho me divertido, que tenho aprendido muito, que estou cada vez mais animado com as novas perspectivas que estão surgindo, e que, por fim, sinto que sou, de fato, uma nova pessoa.

Viagem, cinema, festivais, museus, leituras... Setembro foi bastante prolífico! E tudo me enriqueceu, de alguma forma... Primeiro, Diamantina. Cidade da minha mãe, e que eu só pude conhecer agora, na companhia de ma chérie. Fez-me muito bem. Também vi alguns filmes bacanas, destacando aqui Up - Altas Aventuras, que, pra ficar no óbvio, é lindo! E Down By Law, do Jarmusch, que é um filme com aquela estranheza e aquele humor típicos dele mesmo...

E muito jazz! Primeiro em Ouro Preto, onde ouvi a voz encantadora de Madeleine Peyroux, acompanhada da surpreendente Mart'nália. Show que, infelizmente, foi um pouco prejudicado pelo som, que estava muito baixo.. E, em seguida, no Festival I Love Jazz, aqui em BH, onde os ritmos tradicionais dos anos 20, 30 e 40 tomaram conta. E foi muito muito bom!

Ainda, três exposições imperdíveis: Vik Muniz, no Museu Inimá de Paula. E Marc Chagall e Rodin, simultaneamente, na Casa Fiat. Arte de primeira, daquelas que deixam a gente maravilhado, com o espírito elevado e a cabeça a mil!...

Além da retomada das leituras, que me deixou muito satisfeito... Dois livros concluídos: A Desobediência Civil e Outros Escritos de Henry Thoreau, que me fez pensar como pode um país como os EUA produzir um cara tão avesso ao american way of life, que eles tanto prezam, e ainda assim ser considerado um clássico? E depois, O Som e A Fúria, de Faulkner, que é aquela coisa, ao mesmo tempo, simples demais e complexa demais. Um livro para se aprofundar no futuro. Mas que é de uma beleza, assim, indefinível...

Por fim, a eminência da coisa coisando... em mim... e que é, no frigir dos ovos, o que está havendo de mais significativo nessa brincadeira toda... Vamos seguindo então, rumo à vida plena...

Ao futuro!

28.8.09

Faulkner e seus meandros

Primeiro li Palmeiras Selvagens. Agora estou lendo O Som e A Fúria. Mas ainda estou por descobrir os caminhos de Faulkner. Aparentemente, a leitura não é complicada. Ele não usa um vocabulário muito empolado. Só que a simplicidade pára por aí. A estrutura do texto te entorta inteirinho! Os meandros de Faulkner são meio inextrincáveis. Os acontecimentos se misturam sem uma ordem muito clara. É uma literatura líquida, sabe...

As histórias parecem corriqueiras. Mas só parecem. Você sabe que ele não põe uma vírgula gratuitamente. E a gente fica numa tentativa de desvendar o que há por trás de cada diálogo, de cada fato ou fatalidade... Sabe quando nos perguntamos assim: “Por que Deus permite que esse tipo de coisa aconteça?”. Com Faulkner seria: “Por que ele permite que eu saiba esses pormenores e esconde outros?” No fim, fica a mesma sensação com ambos: o que esse cara está tentando me dizer???

Acredito que quando eu chegar lá, pode ser uma grande revelação. Acho que o grande barato de Faulkner era botar essa pulga atrás da orelha de cada leitor. Deixar ele inquieto. Desconfiado. Como se quisesse mostrar que as aparências sempre, sempre, sempre enganam. E que há algo misteriosamente maior por trás de cada banal acontecimento.

14.8.09

Era um vez um homem que encontrou uma chave perdida em suas entranhas

Um espírito me tomou na última terça-feira. Ando tendo vertigens. E aquele tique nas pernas ao sentar. Como se fosse um telegrafista maneta... Tenho visões do futuro. Estalo os dedos. Canto. Assobio. Falo sozinho. Palavrões. Muitos palavrões. E fico saltitando. Elétrico e inalcançável. Como os grandes: Sugar Ray, Ali, De La Hoya...

A minhão visão embaça e desembaça a cada vinte segundos. Rio das minhas próprias frases. E as lágrimas me correm com frequência. Uma comoção tremenda de não sei o quê... Mas é bom! Riso e choro ao mesmo tempo.

Me olho no espelho. Vejo um chimpanzé. Um poeta. Um bandeirante. Acho que nunca tinha realmente me visto no espelho antes. Deixei de ser vampiro. Agora sou o Sol. E o meu dia amanhece. Cada minúscula fresta recebe a minha luz. E vou desvirginando, enfim, a minha América particular.

Sou pedra, pássaro e riacho. Eu sou o som e a ausência. Bile e sinapse. Meus dedos apontam para o alto, meus olhos alimentam-se de indolência e velocidade, e o meu coração faz tremer toda a terra.

17.7.09

Veckatimest


Depois de uma certa idade, a gente começa e ficar meio chato com tudo. A experiência [qualquer que seja] leva-nos a adotar uma postura mais seletiva para cada aspecto de nossa vida. Por mais que impressões da Infância permaneçam fortes, a nossa enorme capacidade de absorção de informações faz com que, a partir de uma certa altura, o descarte apressado do que não nos interessa torne-se uma ação mais do que rotineira.

Há alguns obtusos ainda que se negam a sair de seus conceitozinhos mal-ajambrados, limitando a sua inata curiosidade até quase sufoca-la por completo. Para esses infelizes, ou nada de novo acontece, ou nada do que é novo presta. Saudosistas rancorosos da juventude perdida, não são capazes de ver que o mundo continua pulsando, e coisas boas e novas pipocam a todo instante.

Não faço apologia da modernidade, apenas tento viver o meu tempo. Interesso-me por ele, porque é nele que ajo. E gosto de ver que há milhares e milhares de outras pessoas que também estão vivendo as suas aventuras, os seus projetos, sonhos e dificuldades. Sem se preocupar muito com o que já foi...

Essa introdução enorme é para falar de uma coisa nova que descobri neste mês. Que me fez ver [de novo] as infinitas possibilidades que a Arte representa. Foi um disco [com o perdão da anacronia] que ouvi e me causou uma gostosa empolgação. O seu nome é Veckatimest. E quem o “cometeu” foi uma bandinha chamada Grizzly Bear. Bandinha, no caso, é apelido carinhoso, pois os caras fizeram um serviço de gente grande! Com 12 faixas sublimes, Veckatimest deixa na gente aquela sensação de elevação que só as verdadeiras obras-primas são capazes de proporcionar.

E o mais legal é que, ao que parece, esse álbum não deve ser um exemplo isolado. Acho que a Revolução da Internet no campo da distribuição musical está a ponto de fazer também uma revolução na criação musical! A facilidade de acesso e a democratização da produção estão criando uma legião de ouvintes melhores e, assim, consequentemente, músicos com bagagem sonora mais rica e diversificada. Foram raros os períodos da Música em que uma safra tão numerosa de bons artistas estivesse produzindo a todo vapor como agora.

O caldeirão cultural do compartilhamento de arquivos iniciado com o falecido Napster, começa agora, no fim da década, a “engrossar o caldo” [como diria o Caetano] e a render obras que são para, no mínimo, prestar-se muita atenção. Que é fã de Música de qualidade não perde por esperar [e pesquisar], porque há indícios de que está surgindo uma nova era de ouro dos grandes álbuns. Era que, pelo menos para mim, foi inaugurada com este brilhante Veckatimest, desta “bandinha” aí, o Grizzly Bear...

E viva a ousadia!

10.7.09

Sem Dono

Frequentemente, a gente usa umas palavras meio inadequadas para expressar as nossas idéias. O que gera, com certeza, muitos mal-entendidos e “estranhamentos” entre as pessoas de nosso convívio.

É bom ter amigos que te compreendem, mesmo quando não encontramos a palavra ideal, a frase ideal para dizermos o que andamos pensando. Muitas vezes, esses amigos até “traduzem”, nas palavras corretas, o que estávamos tentando dizer, mas não conseguíamos.

Outro dia estava com o Mocha no Belvedere. Ficamos alguns minutos de lá do alto, observando as luzes de Belo Horizonte. E eu disse a ele que, para mim, esta cidade tinha alguns donos: Miltão, Roberto Drummond, Lô, Fernando Sabino... E que, um dia, eu também seria um deles. O Mocha sorriu, e me deu apoio. E eu senti que ele não concordava muito bem com o que eu tinha dito, mas entendeu qual foi a minha intenção naquela, aparentemente, pretensiosa fala.

Depois fiquei refletindo, ao som do Lou Reed no carro, que eu tinha me equivocado um pouco. Não existe nenhum dono de BH. A cidade é de todos... E esse é talvez o grande barato das metrópoles. Elas são grandes demais, e diversas demais, para que alguém se aposse delas.

Na verdade, talvez se dê até o contrário. Eu, por exemplo, acho que embora o Milton more há muitos anos no Rio de Janeiro, ele nunca vai deixar de ser daqui. O Daniel Galera sempre será portalegrense. E Cortázar sempre foi portenho, apesar de nunca mais ter retornado a Buenos Aires depois do exílio. O lugar se entranha na gente. A força da terra é maior do que qualquer Gravidade. A palavra fenotipia é a que me ocorre nessas horas...

Então, temos que me expressei mal para o Mocha. Aqueles caras que citei no início do texto seriam antes intérpretes do que donos da cidade. De alguma forma, eles ajudaram a compreendermos melhor este lugar. Deram a nós um novo olhar sobre BH. E, às vezes até, formaram uma parte do nosso inconsciente coletivo. Eu, por exemplo, sempre sinto algo diferente quando passo pela Rua Ramalhete. Sem dúvida que isso não ocorreria, não fosse a maravilhosa canção do Tavito...

Não quero ser dono de nada. A minha vontade é de simplesmente deixar registrado o meu olhar sobre as coisas. E sei que tenho sensibilidade suficiente para alcançar o coração das pessoas se me propuser a isso. Sinto que tenho que levar Belo Horizonte, levar Minas Gerais para o mundo. De um jeito novo. De um jeito só meu de expressar, mas que todo mundo pudesse compreender e sentir.

2.7.09

Gregor & The Millenium Bugs

Eu besouro,
Tu vespas,
Ele barata,

Nós formigamos,
Vós borboletais,
Eles moscam.

29.3.09

An Ogro Way

Eu tenho sentido uma vontade estranha de me isolar de tudo ultimamente. Estranha porque ando bastante feliz por esses últimos meses. As coisas estão caminhando, sob a proteção de Jah. E não há nada sério do que possa reclamar no momento. Mas, mesmo assim, a todo instante me vem uma voz que sopra em meus ouvidos que “A hora está chegando...”. E, com um aperto no peito, concordo com ela, num misto de medo e excitação.

De certa forma, já tenho me isolado aos pouquinhos. Consciente ou inconscientemente, ando voltado para dentro. Escavando perguntas, medos e contradições em meu espírito. Em busca de respostas, luzes e libertação...

É uma tarefa às vezes repugnante e, às vezes, sublime. As descobertas, quase sempre, surpreendentes, me dão mais força para revirar os meus escombros e sedimentos, em busca daquele velho e encardido espelho enterrado no dia de minha primeira morte.

Aos que me cercam e guardam em seu coração, peço que não se preocupem. Por mais léguas que caminhe, por mais mares que navegue, por mais desertos que atravesse, vocês sempre estarão comigo. Não sei por onde irei, só sei aonde quero chegar. E quando eu estiver lá, no cume da colina dourada, acenarei a todos, com o meu sorriso mais radiante e acolhedor e direi: “Este é meu último passo, e também o primeiro. A minha história começa aqui e agora...”

28.3.09

Just a Fest



O que dizer? O que dizer?... 3 shows onde qualquer adjetivo é pouco, pouco para o que se viu ali... Eu não esquecerei jamais!...

11.3.09

Série Fotografias n° 2


Tiradentes - Minas Gerais

10.3.09

Objetos

Desde que me mudei para o meu atual apartamento comecei a desenvolver uma relação especial com os objetos. A situação de ter um lugar que é meu, fez com que me afeiçoasse, indiretamente, à tudo o que está dentro dele.

Só que não é um tipo de afeição relacionado primordialmente à posse. Acho que o que mais me chama atenção é a utilidade de cada um dos objetos, e depois a sua beleza. Não existe um orgulho de posse, até porque não possuo nada de grande valor monetário. Apenas fico feliz com as minhas escolhas. É lugar comum que a gente dá mais valor às coisas que pagamos do nosso próprio bolso. Tudo bem, não discordo. Mas é mais que isso....

Em outras palavras, os novos objetos que vou adquirindo não estão lá por acaso. Eu, por meu critério e gosto, decidi que eles deveriam estar na minha casa. E isso cria um outro tipo de valor: um valor sentimental...

O outro lado da história, é que vejo que as minhas escolhas também fazem com que eu tenha responsabilidades. Aqueles adoráveis objetos que me servem de alguma forma (pela sua utilidade prática ou por sua beleza) também “exigem” uma contra-partida. E o que eles querem? Como eu, como você, como todo mundo, eles querem atenção....

Quanto mais presto atenção nas coisas que me cercam, vejo o quanto preciso cuidar delas. É essa a contra-partida. Os objetos também desejam ser bem cuidados. Se eu quero, por exemplo, uma determinada panela e a compro, ela vai exigir que eu a mantenha em perfeitas condições para que cozinhe bem para mim. Se eu quero me sentar confortavelmente em meu sofá, será necessário que eu o limpe diariamente e esteja atento à sua manutenção, caso seja necessário (algum reparo da estrutura, ou troca do estofado, etc.) E é ele, o sofá, que exigirá isso de mim... É como se a lei de ação e reação estivesse sendo aplicada sobre todas as coisas, sobre cada pequena coisa, 24 horas por dia...

Cada objeto tem a sua vida própria. E é preciso que nós o mantenhamos “vivo”. De que adianta um saca-rolhas para quem não bebe, um tênis perdido no fundo do armário, um rádio que nunca é ligado? O saca-rolhas quer sacar rolhas. O tênis quer “ser tênis”. Ou seja, quer que alguém ande com ele nos pés. E o rádio, quer que alguém gire ou aperte os seus botões e se alegre com as músicas que é capaz de reproduzir.

Uma casa onde tudo fica guardado é uma casa meio morta. Ela tem o ar pesado e lá a vida se arrasta. Este é um dos motivos pelos quais penso que acumular coisas não é algo muito legal. Se acho que preciso de novos interruptores, não vou entulhar os usados dentro de uma caixa, para abri-la daqui a dez anos e saber que tenho interruptores usados para alguma eventualidade. Acho que isto é uma certa forma de avareza. De apêgo demasiado. Se não preciso de algo, certamente há alguém que necessita. E, não vejo problema em jogar coisas “usáveis” no lixo, porque sei que serão aproveitadas por um outro.

Não quero com isso dizer que sou adepto do desperdício e da descartabilidade. Gosto de coisas que durem, que tenham uma boa qualidade e que cumpram o seu “papel”. Por outro lado, meu dinheiro, infelizmente, não brota no quintal. Então, não acho certo deixar que as coisas fiquem abandonadas e entulhadas dentro de minha própria casa. Acho um desrespeito para com elas e sinto que elas acham o mesmo.

Cada célula, de cada minúscula cabeça de alfinete, de cada linha costurada, de cada gota de tinta... Para mim, tudo está vivo... E assim tenho sentido o pulsar do Universo em cada canto onde ponho os meus olhos. Não me vejo como um ser superior, um homem que domina a Natureza, que domina o seu ambiente. Eu me vejo com alguém que participa de tudo e vive pequenas descobertas e incríveis interações, em todo lugar e a todo momento.