25.3.08

Vida Nova

Quando a Páscoa chega sempre fico me perguntando que raios as pessoas esperam desse dia? Chocolates, a gente pode comprar e se empanturrar em qualquer dia! Por que esperar por esse Domingo do ano? Apenas para justificar um instinto consumista (como no Natal)?

O que as pessoas querem dizer com “Feliz Páscoa”? Algo do tipo: "Vai lá e se esbaldeie de Bacalhaoada e cerveja!"? Ou seria, "Que você ganhe um ovo de páscoa bem grandão e se entupa de serotonina e gordura saturada!"?
Não conheço ninguém que não tenha aguardado o feriado como um simples dia para descansar ou para emendar no fim de semana e “pegar uma prainha”!... Me parece que todas as datas comemorativas (incluindo as santas) perderam completamente o seu objetivo inicial. Agora servem somente para aliviar a pressão do trabalho ou da escola.

Fico intrigado, e um pouco preocupado até, porque estas datas não foram instituídas por acaso. E se elas têm um significado, um simbolismo, é porque isso seria, teoricamente, importante de ser mantido e transmitido para todos. Mas agora, tudo parece tão distante! Que sentido vemos nestas comemorações nos dias de hoje? Como distinguir a importância de um dia, de um evento, de uma figura histórica, se simplesmente adotamos todos estes dias como meros e pasteurizados “feriados”? Quem não já se pegou perguntando em alguma oportunidade: “Mas o feriado é de quê mesmo?”

Fica a impressão que é apenas uma justificativa mal-ajambrada para a oportunidade de colocar em prática a histórica e endêmica preguiça nacional. É uma pena, pois é óbvio que um povo que não conhece e reconhece a sua história (ou mesmo o seu sistema de crenças) perde muito de sua identidade.

E é justamente isso o que percebo ao meu redor. Vejo hordas de bípedes endinheirados devorando toneladas e mais toneladas de chocolate, crianças que não fazem a mínima idéia de que coelhos não fazem ovos e de que renas não voam, gente que enche o bucho de bacalhau num determinado Domingo do ano e de picanha em todos os outros, irmãos de sangue que se matam em uma simples discussão, madrastas torturando enteadas... E eu, pasmo, constato: eu não pertenço a este mundo! Eu não sou assim! Por que sou obrigado a suportar isso? Por que as pessoas querem que eu seja igual a elas? Mentindo, tramando, invejando, cobiçando, odiando, desprezando, desvirtuando, magoando... e fingindo... Fingindo que está tudo bem, que as coisas são assim mesmo, que a felicidade é isso, que tudo vai dar certo no fim (ainda que se tenha que passar por cima de um ou de outro), fingindo que não sabem que não são ninguém, que não há por onde fugir, que tudo não passa de uma grande merda de uma ilusão!

"Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindo do interior." Tenho 30 anos, muitos sonhos, poucas ambições e já me cansei dessa vida...

24.3.08

Um Século de Glória e Paixão


Parabéns ao fantástico Clube Atlético Mineiro e a todos os torcedores do Galo em Minas Gerais, no Brasil e por esse Mundão afora!

19.3.08

Eu Vi a Lenda



Eu vi a lenda.
Em seu terno prateado,
eu vi a lenda.
Empunhando a sua guitarra,
eu vi a lenda.
Atacando ferozmente o piano,
eu vi a lenda.

Eu vi a lenda e sua lendária voz
quase sumindo.
Eu vi a lenda num hercúleo esforço
para cantar.
E eu vi que todos viram o mesmo.
E vi que as pessoas reconheceram
e reverenciaram o seu esforço.

Eu vi e ouvi a lenda
cantando as suas lendárias canções.
Vi e ouvi todos cantarem juntos
a plenos pulmões.
Eu vi a lenda tocar dezenas de novas músicas.
E relegar dezenas de clássicos a ficarem ressoando
apenas na memória dos fãs.
Como se a sua história começasse ali.
Como se a lenda não fosse lenda.

Eu vi a lenda e sua lendária sisudez.
Eu vi a lenda e sua energia magnética.
Eu vi a lenda e o brilho em todos os olhares.
E os corações crepitando de entusiasmo.
E senti o Mundo pulsando em seus acordes e letras.
Eu vi a lenda e senti todos os gigantes dos séculos
tocando a mão sobre a sua cabeça
e dizendo: "Estamos contigo."

Eu vi a lenda, e vi que a lenda era mortal.
Eu vi a lenda e que ele era apenas um garoto das terras do Norte.
Eu vi a lenda e que ele era apenas mais um homem triste e solitário.
Eu vi a lenda. E a lenda se chamava Bob Dylan.

15.2.08

O Segredo da Vida [por Paul McCartney]

Há sete níveis.

14.2.08

We're just kids

I wanna keep that ant above our fingers forever.
And laugh, and laugh, and laugh, and laugh...

24.10.07

A Teoria dos Espelhos

Esta teoria surgiu num lugar onde as pessoas dançavam. Por dez contos, reuniam-se em um porão quente e pouco iluminado, com potentes caixas de som e um bar, onde se adquiria boa cerveja. Naquela noite, entretanto, mantive-me sóbrio. Assim como o meu amigo Moisés que me acompanhava.

Como é de praxe nesses lugares, era preciso gritarmos no ouvido um do outro para que pudéssemos trocar alguma idéia, alguma impressão sobre o que rolava por ali. Basicamente, sobre a música e as garotas do lugar. Rimos muito quando o Moisés me disse que "a loira" estava flertando com ele. E eu tive que desapontá-lo porque a azaração da loira era comigo. Mas enfim, como somos desgraçadamente tímidos, nenhum dos dois tomou qualquer iniciativa. E assim "a loira" foi embora lá pelas tantas, visivelmente desapontada, após dar vários foras nos outros caras que se arriscaram a dizer qualquer coisa em seu ouvido. Ela definitivamente queria um de nós dois...

Este duplo vacilo com a loira foi o contraponto divertido da noite ao peso das constatações que tivemos no observar a galera do local.
A empolgação era geral! Muitas e muitas cervejas e o DJ mandando ver em clássicos dos anos 80. Garotas e rapazes soltando corpo e voz, extravasando toda a tensão acumulada do "mundo lá fora", tentando esquecer por alguns instantes suas angústias, receios e problemas.

Mas o que eu vi, o que o Moco viu, não era bem isso. Ninguém se esquecia de nada! Cada rosto embriagado, cada corpo saltitante revelava, no fundo, uma tristeza e desapontamento rascantes. E quanto mais embriagado, quanto mais alto se cantava, quanto mais se desinibiam os passos, mais evidente era a melancolia daquelas pessoas.

Percebemos então, eu e o Moisés, que todos estavam ali para se encontrarem. Encontrarem, nem que fosse por poucos instantes, algo que pudesse libertá-los de toda a torturante dor que eram obrigados a carregar dentro de si. Uma dor acumulada, uma profusão de gritos, socos e gozos reprimidos pela "necessidade" de um bom convívio social. Como se fosse possível ali, num quase anonimato e num quase breu, tornarem-se, finalmente e paradoxalmente, eles próprios.

A evidência da melancolia se daria então no momento exato em que aquelas pessoas, na crescente excitação e êxtase propiciados pela embriaguez etílica e sonora, tinham o tão aguardado encontro com elas mesmas, quando poderiam, enfim, mostrar a todos o quanto eram seres "especiais" e merecedores de apreciação. Contudo, nada encontravam em si. Aquela explosão de existência prestes a acontecer convertia-se, instantaneamente, num passo para o vazio. Ninguém percebia coisa alguma de especial no outro. A não ser [para alguns poucos de clara visão] uma assombrosa constatação de que todos ali eram reflexos uns dos outros. Em cada brinde, em cada verso cantado junto, em cada passo desensaiado, a mesma busca e o mesmo desencanto. Os olhos de todos e de cada um eram como espelhos. Todos se viam refletidos. E todos eram tristes...

Assim constatei na minha sóbria observação. E é estranho pensar que pouca gente está preparada para essa "ousadia do encontro". Daí tem-se mais um paradoxo: é, ao mesmo tempo, uma busca e uma fuga. E que, prestando-se a devida atenção, tendem a convergir para um mesmíssimo ponto: a verdade.
A verdade de sempre. Aquela que, naturalmente, nos escapa e nos persegue...

22.9.07

Diálogos Virtuais do Ogro: Tarantino´s Mind

Ogro diz:
Oi.

Artemis diz:
Tô assistindo: http://www.youtube.com/watch?v=hY4n6DPIx_4

Artemis diz:
Mas o farsante do Seu Jorge não me convence!...

Ogro diz:
Nem a mim... apesar de eu ter gostado do Farofa Carioca na época...

Artemis diz:
ahhhhhrrrggghhh

Ogro diz:
Seu Jorge, Ana Carolina, Vanessa da Mata... é produto pra classe média pseudo-antenada...

Artemis diz:
Céu ....

Ogro diz:
Céu se apresentou aqui ontem... Um amigo meu me chamou... Preferi vir pra casa..

Artemis diz:
Eu acho que ela pelo menos é interessante musicalmente ... Mas só o fato de fazer cover do Chico Buarque já faz ela perder muuuuitos pontos ...

Ogro diz:
Chico virou Deus... Mas, felizmente, ainda há ateus nesse Brasilzão!...

Artemis diz:
Nem acho que o problema seja ele ... É mais essa idéia de culto ao cara, de todo mundo novo que aparece ir lá e tomar a benção dessa gente velha ...

Ogro diz:
Sim... os deuses são deuses, a despeito de seus fiéis.

Artemis diz:
Tem uma banda nova legal que chama ecos falsos ... É uma banda de indie rock, não tem nada de ‘brasileiro’ no som deles ... Mas eles chamaram o Tom Zé pra participar do disco ... E é o Tom Zé que chama atenção... Isso é ridículo!

Ogro diz:
Tom Zé é o ícone maior dos “pseudo-antenados”... Midiaticamente falando, é claro...

(...)

(...)

(...)

Ogro diz:
Será que é tudo mesmo um só filme?

Artemis diz:
O quê?

Ogro diz:
...a teoria do Selton Mello.....os mesmos personagens e tal..

Artemis diz:
Tem a ver ....

Pode ser que sim... Só sei que o cara é inteligente o suficiente, então ...

Ogro diz:
E o que acha do Selton Mello?

Artemis diz:
Eu gosto do Seltinho...

O cara é bom ator ... Apesar de ele estar sempre com o mesmo cabelo e a mesma barba, independente do personagem, o cara te convence ...

Aliás, perto dele, o Seu Jorge fica ainda mais obviamente farsante...

Ogro diz:
Hehehe.

4.9.07

Like Dean in the movies

Há alguns dias atrás, eu tive um sonho. Estava em um composição cheia de vagões. Sozinho, coloquei o trem em movimento e pulei. Depois de alguns poucos instantes, ouvi as sirenes da Polícia Ferroviária vindo em meu encalço [Sim, ela existe!].

Durante a perseguição, pensei que certamente teria havido um acidente mais adiante. Talvez um encontro com um trem de passageiros. E que isso pudesse ter acarretado algumas mortes...

Naquele instante, veio um sentimento de remorso. Mas o prazer de ter feito algo proibido se contrapunha. E, em minha face, foi surgindo um sorriso indisfarçável por ter deixado putos “os homens da Lei”.

E fui me embranhando por uma floresta que margeava a linha férrea. Correndo, coração acelerado e divagando que as sementes da transgressão que foram plantadas em mim através dos livros e filmes “clássicos” estavam agora germinando.

Fiquei um pouco atormentado ao imaginar que tipo de resultados isso poderia trazer. Afinal, todos me admiram por ser este rapaz bom e pacífico que sou. Contudo, a euforia causada pela “molecagem” que aprontei no sonho era um coisa absurdamente boa!... Se esta quimera é um presságio do Mendelson do futuro, só os fatos poderão comprovar.

Há algum tempo, determinei para mim mesmo que deveria viver a minha vida da forma mais verdadeira possível. O porão de minhas inibições e pavores está sendo revirado. E a cada dia, vejo-me mais iluminado, alegre, confiante e sereno. Com a ajuda de todas as forças, as quais agradeço permanentemente, torno-me, com muita perseverança, quem eu, de fato, sou.

1.5.07

Constatação Estética Óbvia

O clássico é o que há de mais moderno.
E sempre há de ser.

20.4.07

Piscar de Olhos

Minha mente vacila,
nega, duvida...
Envolta em si:
nada alcança, nada sabe.

Meus pés me levam
a caminhos e veredas
que me trazem de novo
a este vazio.

Minha boca age
em silêncio.
Murmura frases cortadas,
palavras incompreensíveis.

Em meus ouvidos,
um canto esquecido,
um som imaginário,
uma canção que ainda não surgiu.

Sinto aromas longínquos.
Perfumes dissipados pelo tempo,
mas não pela memória.

Meus olhos buscam
a forma ideal,
o gesto perfeito,
uma luz improvável e sublime.

O coração pulsa lancinante.
Sem bem saber porquê,
nem por quanto tempo.

Mas daí você me aparece
e resolve tudo isso assim:
num piscar de olhos!...