Ando sentindo o tempo. A sua presença, quero dizer. Como um ente atuante sobre o mundo físico. Mas não sobre os critérios conhecidos de um mensurador de etapas evolutivas do soma, ou de um parâmetro assombroso de decrepitude e indicativo de morte. Não. Uma nova percepção tem, aos poucos, se infiltrado em meus pensamentos. É como se ele, o tempo, estivesse se materializando diante dos meus olhos. Eventos passados e futuros se cristalizam em pequenas observações diárias.
Certamente alguém já deve ter teorizado sobre isso, mas o meu arcabouço de conhecimentos é demasiado pobre e a minha memória não é lá muito minha amiga. De modo que, o que digo aqui, pode ser fruto de experiências e conhecimentos acumulados, embora eu não vá saber citá-los, nem por um enorme esforço mental, nem por um chute despretensioso da intermediária... A minha rasa intelectualidade também não me permite usar do vocabulário adequado para o tema. Prometo, em outra oportunidade e se me permitirem, voltar a esta questão com mais propriedade. Por ora, tentarei apenas expor as idéias, sensações e intuições que tenho tido nas últimas semanas da maneira mais clara que puder (ou não).
Retomando o primeiro parágrafo, venho percebendo que os meus sentidos têm se aguçado recentemente e acho que estariam, de certo modo, se entrelaçando numa espécie particular de sinestesia. O que antes era apenas imagem, ou apenas paladar, torna-se algo mais completo, catalisando uma maior gama de sensações simultaneamente, criando em minha mente, relações com coisas outrora absolutamente desconexas. Pode ser que esse tipo de experiência sempre tenha havido, mudando agora apenas na intensidade da percepção. O que importa é que essas novas sensações estão centrando as minhas atenções e a minha curiosidade hoje. Venho tentando, de algum modo, organizar estas experiências de uma maneira inteligível para mim. E este texto é a primeira concretização viável desta tentativa, embora ela já venha me ocorrendo há alguns meses e exista uma possibilidade real de que qualquer tentativa de “racionalizar” estas experiências acabem por anulá-las.
Cada momento como esse (em que ocorre a interconexão de sensações, memória e tempo) é exatamente indescritível e, o que posso apresentar seria, simplesmente, uma tentativa de apresentação de cada componente do evento em separado, seguido das minhas considerações/alucinações posteriores àquele momento. Um pássaro que repula espevitado em seu ninho, por exemplo, pode instantânea e simultanemanete me remeter à brutalidade da Guerra do Vietnã, à rapidez da cor amarela, à pungência e esplendor de uma ópera de Verdi e/ou a uma queda de bicicleta na infância. O que mais me impressiona e intriga é com que clareza e naturalidade coisas tão distintas quanto essas adquirem, naquele instante, uma ligação evidente, como se todas dependessem umas das outras para se concretizar. Mas tão fugaz e ofuscante quanto um relâmpago, aquele evento se desmancha no tempo e espaço, deixando-me igualmente assombrado e deslumbrado. E eu fico a vagar por longos minutos em meus pensamentos e elucubrações.
À parte de minhas concepções/confusões religiosas, estas mega-epifanias, têm me proporcionado importantes momentos para reflexão sobre as grandes e eternas questões humanas: quem sou, de onde sou, para onde vou, o que devo seguir, ou mesmo, se devo seguir algo, sobre as consequências dos meus atos, etc. Acho que há alguma verdade que pretende revelar-se a mim por esses meios, algo que foge aos conceitos que fui condicionado a ter. Algo que, ao ser percebido, operará uma transformação profunda da maneira como vejo o Mundo. E assim, consequentemente, também transformará o modo como eu vivo sobre ele.
P.S.: É provável que este texto ainda não esteja pronto e que seja remendado em breve (depois de alguma outra mega-epifania, ou não).
24.4.08
25.3.08
Vida Nova
Quando a Páscoa chega sempre fico me perguntando que raios as pessoas esperam desse dia? Chocolates, a gente pode comprar e se empanturrar em qualquer dia! Por que esperar por esse Domingo do ano? Apenas para justificar um instinto consumista (como no Natal)?
O que as pessoas querem dizer com “Feliz Páscoa”? Algo do tipo: "Vai lá e se esbaldeie de Bacalhaoada e cerveja!"? Ou seria, "Que você ganhe um ovo de páscoa bem grandão e se entupa de serotonina e gordura saturada!"?
Não conheço ninguém que não tenha aguardado o feriado como um simples dia para descansar ou para emendar no fim de semana e “pegar uma prainha”!... Me parece que todas as datas comemorativas (incluindo as santas) perderam completamente o seu objetivo inicial. Agora servem somente para aliviar a pressão do trabalho ou da escola.
Fico intrigado, e um pouco preocupado até, porque estas datas não foram instituídas por acaso. E se elas têm um significado, um simbolismo, é porque isso seria, teoricamente, importante de ser mantido e transmitido para todos. Mas agora, tudo parece tão distante! Que sentido vemos nestas comemorações nos dias de hoje? Como distinguir a importância de um dia, de um evento, de uma figura histórica, se simplesmente adotamos todos estes dias como meros e pasteurizados “feriados”? Quem não já se pegou perguntando em alguma oportunidade: “Mas o feriado é de quê mesmo?”
Fica a impressão que é apenas uma justificativa mal-ajambrada para a oportunidade de colocar em prática a histórica e endêmica preguiça nacional. É uma pena, pois é óbvio que um povo que não conhece e reconhece a sua história (ou mesmo o seu sistema de crenças) perde muito de sua identidade.
E é justamente isso o que percebo ao meu redor. Vejo hordas de bípedes endinheirados devorando toneladas e mais toneladas de chocolate, crianças que não fazem a mínima idéia de que coelhos não fazem ovos e de que renas não voam, gente que enche o bucho de bacalhau num determinado Domingo do ano e de picanha em todos os outros, irmãos de sangue que se matam em uma simples discussão, madrastas torturando enteadas... E eu, pasmo, constato: eu não pertenço a este mundo! Eu não sou assim! Por que sou obrigado a suportar isso? Por que as pessoas querem que eu seja igual a elas? Mentindo, tramando, invejando, cobiçando, odiando, desprezando, desvirtuando, magoando... e fingindo... Fingindo que está tudo bem, que as coisas são assim mesmo, que a felicidade é isso, que tudo vai dar certo no fim (ainda que se tenha que passar por cima de um ou de outro), fingindo que não sabem que não são ninguém, que não há por onde fugir, que tudo não passa de uma grande merda de uma ilusão!
"Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindo do interior." Tenho 30 anos, muitos sonhos, poucas ambições e já me cansei dessa vida...
O que as pessoas querem dizer com “Feliz Páscoa”? Algo do tipo: "Vai lá e se esbaldeie de Bacalhaoada e cerveja!"? Ou seria, "Que você ganhe um ovo de páscoa bem grandão e se entupa de serotonina e gordura saturada!"?
Não conheço ninguém que não tenha aguardado o feriado como um simples dia para descansar ou para emendar no fim de semana e “pegar uma prainha”!... Me parece que todas as datas comemorativas (incluindo as santas) perderam completamente o seu objetivo inicial. Agora servem somente para aliviar a pressão do trabalho ou da escola.
Fico intrigado, e um pouco preocupado até, porque estas datas não foram instituídas por acaso. E se elas têm um significado, um simbolismo, é porque isso seria, teoricamente, importante de ser mantido e transmitido para todos. Mas agora, tudo parece tão distante! Que sentido vemos nestas comemorações nos dias de hoje? Como distinguir a importância de um dia, de um evento, de uma figura histórica, se simplesmente adotamos todos estes dias como meros e pasteurizados “feriados”? Quem não já se pegou perguntando em alguma oportunidade: “Mas o feriado é de quê mesmo?”
Fica a impressão que é apenas uma justificativa mal-ajambrada para a oportunidade de colocar em prática a histórica e endêmica preguiça nacional. É uma pena, pois é óbvio que um povo que não conhece e reconhece a sua história (ou mesmo o seu sistema de crenças) perde muito de sua identidade.
E é justamente isso o que percebo ao meu redor. Vejo hordas de bípedes endinheirados devorando toneladas e mais toneladas de chocolate, crianças que não fazem a mínima idéia de que coelhos não fazem ovos e de que renas não voam, gente que enche o bucho de bacalhau num determinado Domingo do ano e de picanha em todos os outros, irmãos de sangue que se matam em uma simples discussão, madrastas torturando enteadas... E eu, pasmo, constato: eu não pertenço a este mundo! Eu não sou assim! Por que sou obrigado a suportar isso? Por que as pessoas querem que eu seja igual a elas? Mentindo, tramando, invejando, cobiçando, odiando, desprezando, desvirtuando, magoando... e fingindo... Fingindo que está tudo bem, que as coisas são assim mesmo, que a felicidade é isso, que tudo vai dar certo no fim (ainda que se tenha que passar por cima de um ou de outro), fingindo que não sabem que não são ninguém, que não há por onde fugir, que tudo não passa de uma grande merda de uma ilusão!
"Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindo do interior." Tenho 30 anos, muitos sonhos, poucas ambições e já me cansei dessa vida...
24.3.08
Um Século de Glória e Paixão

Parabéns ao fantástico Clube Atlético Mineiro e a todos os torcedores do Galo em Minas Gerais, no Brasil e por esse Mundão afora!
19.3.08
Eu Vi a Lenda

Eu vi a lenda.
Em seu terno prateado,
eu vi a lenda.
Empunhando a sua guitarra,
eu vi a lenda.
Atacando ferozmente o piano,
eu vi a lenda.
Eu vi a lenda e sua lendária voz
quase sumindo.
Eu vi a lenda num hercúleo esforço
para cantar.
E eu vi que todos viram o mesmo.
E vi que as pessoas reconheceram
e reverenciaram o seu esforço.
Eu vi e ouvi a lenda
cantando as suas lendárias canções.
Vi e ouvi todos cantarem juntos
a plenos pulmões.
Eu vi a lenda tocar dezenas de novas músicas.
E relegar dezenas de clássicos a ficarem ressoando
apenas na memória dos fãs.
Como se a sua história começasse ali.
Como se a lenda não fosse lenda.
Eu vi a lenda e sua lendária sisudez.
Eu vi a lenda e sua energia magnética.
Eu vi a lenda e o brilho em todos os olhares.
E os corações crepitando de entusiasmo.
E senti o Mundo pulsando em seus acordes e letras.
Eu vi a lenda e senti todos os gigantes dos séculos
tocando a mão sobre a sua cabeça
e dizendo: "Estamos contigo."
Eu vi a lenda, e vi que a lenda era mortal.
Eu vi a lenda e que ele era apenas um garoto das terras do Norte.
Eu vi a lenda e que ele era apenas mais um homem triste e solitário.
Eu vi a lenda. E a lenda se chamava Bob Dylan.
Em seu terno prateado,
eu vi a lenda.
Empunhando a sua guitarra,
eu vi a lenda.
Atacando ferozmente o piano,
eu vi a lenda.
Eu vi a lenda e sua lendária voz
quase sumindo.
Eu vi a lenda num hercúleo esforço
para cantar.
E eu vi que todos viram o mesmo.
E vi que as pessoas reconheceram
e reverenciaram o seu esforço.
Eu vi e ouvi a lenda
cantando as suas lendárias canções.
Vi e ouvi todos cantarem juntos
a plenos pulmões.
Eu vi a lenda tocar dezenas de novas músicas.
E relegar dezenas de clássicos a ficarem ressoando
apenas na memória dos fãs.
Como se a sua história começasse ali.
Como se a lenda não fosse lenda.
Eu vi a lenda e sua lendária sisudez.
Eu vi a lenda e sua energia magnética.
Eu vi a lenda e o brilho em todos os olhares.
E os corações crepitando de entusiasmo.
E senti o Mundo pulsando em seus acordes e letras.
Eu vi a lenda e senti todos os gigantes dos séculos
tocando a mão sobre a sua cabeça
e dizendo: "Estamos contigo."
Eu vi a lenda, e vi que a lenda era mortal.
Eu vi a lenda e que ele era apenas um garoto das terras do Norte.
Eu vi a lenda e que ele era apenas mais um homem triste e solitário.
Eu vi a lenda. E a lenda se chamava Bob Dylan.
15.2.08
14.2.08
We're just kids
I wanna keep that ant above our fingers forever.
And laugh, and laugh, and laugh, and laugh...
And laugh, and laugh, and laugh, and laugh...
24.10.07
A Teoria dos Espelhos
Esta teoria surgiu num lugar onde as pessoas dançavam. Por dez contos, reuniam-se em um porão quente e pouco iluminado, com potentes caixas de som e um bar, onde se adquiria boa cerveja. Naquela noite, entretanto, mantive-me sóbrio. Assim como o meu amigo Moisés que me acompanhava.
Como é de praxe nesses lugares, era preciso gritarmos no ouvido um do outro para que pudéssemos trocar alguma idéia, alguma impressão sobre o que rolava por ali. Basicamente, sobre a música e as garotas do lugar. Rimos muito quando o Moisés me disse que "a loira" estava flertando com ele. E eu tive que desapontá-lo porque a azaração da loira era comigo. Mas enfim, como somos desgraçadamente tímidos, nenhum dos dois tomou qualquer iniciativa. E assim "a loira" foi embora lá pelas tantas, visivelmente desapontada, após dar vários foras nos outros caras que se arriscaram a dizer qualquer coisa em seu ouvido. Ela definitivamente queria um de nós dois...
Este duplo vacilo com a loira foi o contraponto divertido da noite ao peso das constatações que tivemos no observar a galera do local.
A empolgação era geral! Muitas e muitas cervejas e o DJ mandando ver em clássicos dos anos 80. Garotas e rapazes soltando corpo e voz, extravasando toda a tensão acumulada do "mundo lá fora", tentando esquecer por alguns instantes suas angústias, receios e problemas.
Mas o que eu vi, o que o Moco viu, não era bem isso. Ninguém se esquecia de nada! Cada rosto embriagado, cada corpo saltitante revelava, no fundo, uma tristeza e desapontamento rascantes. E quanto mais embriagado, quanto mais alto se cantava, quanto mais se desinibiam os passos, mais evidente era a melancolia daquelas pessoas.
Percebemos então, eu e o Moisés, que todos estavam ali para se encontrarem. Encontrarem, nem que fosse por poucos instantes, algo que pudesse libertá-los de toda a torturante dor que eram obrigados a carregar dentro de si. Uma dor acumulada, uma profusão de gritos, socos e gozos reprimidos pela "necessidade" de um bom convívio social. Como se fosse possível ali, num quase anonimato e num quase breu, tornarem-se, finalmente e paradoxalmente, eles próprios.
A evidência da melancolia se daria então no momento exato em que aquelas pessoas, na crescente excitação e êxtase propiciados pela embriaguez etílica e sonora, tinham o tão aguardado encontro com elas mesmas, quando poderiam, enfim, mostrar a todos o quanto eram seres "especiais" e merecedores de apreciação. Contudo, nada encontravam em si. Aquela explosão de existência prestes a acontecer convertia-se, instantaneamente, num passo para o vazio. Ninguém percebia coisa alguma de especial no outro. A não ser [para alguns poucos de clara visão] uma assombrosa constatação de que todos ali eram reflexos uns dos outros. Em cada brinde, em cada verso cantado junto, em cada passo desensaiado, a mesma busca e o mesmo desencanto. Os olhos de todos e de cada um eram como espelhos. Todos se viam refletidos. E todos eram tristes...
Assim constatei na minha sóbria observação. E é estranho pensar que pouca gente está preparada para essa "ousadia do encontro". Daí tem-se mais um paradoxo: é, ao mesmo tempo, uma busca e uma fuga. E que, prestando-se a devida atenção, tendem a convergir para um mesmíssimo ponto: a verdade.
A verdade de sempre. Aquela que, naturalmente, nos escapa e nos persegue...
Como é de praxe nesses lugares, era preciso gritarmos no ouvido um do outro para que pudéssemos trocar alguma idéia, alguma impressão sobre o que rolava por ali. Basicamente, sobre a música e as garotas do lugar. Rimos muito quando o Moisés me disse que "a loira" estava flertando com ele. E eu tive que desapontá-lo porque a azaração da loira era comigo. Mas enfim, como somos desgraçadamente tímidos, nenhum dos dois tomou qualquer iniciativa. E assim "a loira" foi embora lá pelas tantas, visivelmente desapontada, após dar vários foras nos outros caras que se arriscaram a dizer qualquer coisa em seu ouvido. Ela definitivamente queria um de nós dois...
Este duplo vacilo com a loira foi o contraponto divertido da noite ao peso das constatações que tivemos no observar a galera do local.
A empolgação era geral! Muitas e muitas cervejas e o DJ mandando ver em clássicos dos anos 80. Garotas e rapazes soltando corpo e voz, extravasando toda a tensão acumulada do "mundo lá fora", tentando esquecer por alguns instantes suas angústias, receios e problemas.
Mas o que eu vi, o que o Moco viu, não era bem isso. Ninguém se esquecia de nada! Cada rosto embriagado, cada corpo saltitante revelava, no fundo, uma tristeza e desapontamento rascantes. E quanto mais embriagado, quanto mais alto se cantava, quanto mais se desinibiam os passos, mais evidente era a melancolia daquelas pessoas.
Percebemos então, eu e o Moisés, que todos estavam ali para se encontrarem. Encontrarem, nem que fosse por poucos instantes, algo que pudesse libertá-los de toda a torturante dor que eram obrigados a carregar dentro de si. Uma dor acumulada, uma profusão de gritos, socos e gozos reprimidos pela "necessidade" de um bom convívio social. Como se fosse possível ali, num quase anonimato e num quase breu, tornarem-se, finalmente e paradoxalmente, eles próprios.
A evidência da melancolia se daria então no momento exato em que aquelas pessoas, na crescente excitação e êxtase propiciados pela embriaguez etílica e sonora, tinham o tão aguardado encontro com elas mesmas, quando poderiam, enfim, mostrar a todos o quanto eram seres "especiais" e merecedores de apreciação. Contudo, nada encontravam em si. Aquela explosão de existência prestes a acontecer convertia-se, instantaneamente, num passo para o vazio. Ninguém percebia coisa alguma de especial no outro. A não ser [para alguns poucos de clara visão] uma assombrosa constatação de que todos ali eram reflexos uns dos outros. Em cada brinde, em cada verso cantado junto, em cada passo desensaiado, a mesma busca e o mesmo desencanto. Os olhos de todos e de cada um eram como espelhos. Todos se viam refletidos. E todos eram tristes...
Assim constatei na minha sóbria observação. E é estranho pensar que pouca gente está preparada para essa "ousadia do encontro". Daí tem-se mais um paradoxo: é, ao mesmo tempo, uma busca e uma fuga. E que, prestando-se a devida atenção, tendem a convergir para um mesmíssimo ponto: a verdade.
A verdade de sempre. Aquela que, naturalmente, nos escapa e nos persegue...
22.9.07
Diálogos Virtuais do Ogro: Tarantino´s Mind
Ogro diz:
Oi.
Artemis diz:
Tô assistindo: http://www.youtube.com/watch?v=hY4n6DPIx_4
Artemis diz:
Mas o farsante do Seu Jorge não me convence!...
Ogro diz:
Nem a mim... apesar de eu ter gostado do Farofa Carioca na época...
Artemis diz:
ahhhhhrrrggghhh
Ogro diz:
Seu Jorge, Ana Carolina, Vanessa da Mata... é produto pra classe média pseudo-antenada...
Artemis diz:
Céu ....
Ogro diz:
Céu se apresentou aqui ontem... Um amigo meu me chamou... Preferi vir pra casa..
Artemis diz:
Eu acho que ela pelo menos é interessante musicalmente ... Mas só o fato de fazer cover do Chico Buarque já faz ela perder muuuuitos pontos ...
Ogro diz:
Chico virou Deus... Mas, felizmente, ainda há ateus nesse Brasilzão!...
Artemis diz:
Nem acho que o problema seja ele ... É mais essa idéia de culto ao cara, de todo mundo novo que aparece ir lá e tomar a benção dessa gente velha ...
Ogro diz:
Sim... os deuses são deuses, a despeito de seus fiéis.
Artemis diz:
Tem uma banda nova legal que chama ecos falsos ... É uma banda de indie rock, não tem nada de ‘brasileiro’ no som deles ... Mas eles chamaram o Tom Zé pra participar do disco ... E é o Tom Zé que chama atenção... Isso é ridículo!
Ogro diz:
Tom Zé é o ícone maior dos “pseudo-antenados”... Midiaticamente falando, é claro...
(...)
(...)
(...)
Ogro diz:
Será que é tudo mesmo um só filme?
Artemis diz:
O quê?
Ogro diz:
...a teoria do Selton Mello.....os mesmos personagens e tal..
Artemis diz:
Tem a ver ....
Pode ser que sim... Só sei que o cara é inteligente o suficiente, então ...
Ogro diz:
E o que acha do Selton Mello?
Artemis diz:
Eu gosto do Seltinho...
O cara é bom ator ... Apesar de ele estar sempre com o mesmo cabelo e a mesma barba, independente do personagem, o cara te convence ...
Aliás, perto dele, o Seu Jorge fica ainda mais obviamente farsante...
Ogro diz:
Hehehe.
Oi.
Artemis diz:
Tô assistindo: http://www.youtube.com/watch?v=hY4n6DPIx_4
Artemis diz:
Mas o farsante do Seu Jorge não me convence!...
Ogro diz:
Nem a mim... apesar de eu ter gostado do Farofa Carioca na época...
Artemis diz:
ahhhhhrrrggghhh
Ogro diz:
Seu Jorge, Ana Carolina, Vanessa da Mata... é produto pra classe média pseudo-antenada...
Artemis diz:
Céu ....
Ogro diz:
Céu se apresentou aqui ontem... Um amigo meu me chamou... Preferi vir pra casa..
Artemis diz:
Eu acho que ela pelo menos é interessante musicalmente ... Mas só o fato de fazer cover do Chico Buarque já faz ela perder muuuuitos pontos ...
Ogro diz:
Chico virou Deus... Mas, felizmente, ainda há ateus nesse Brasilzão!...
Artemis diz:
Nem acho que o problema seja ele ... É mais essa idéia de culto ao cara, de todo mundo novo que aparece ir lá e tomar a benção dessa gente velha ...
Ogro diz:
Sim... os deuses são deuses, a despeito de seus fiéis.
Artemis diz:
Tem uma banda nova legal que chama ecos falsos ... É uma banda de indie rock, não tem nada de ‘brasileiro’ no som deles ... Mas eles chamaram o Tom Zé pra participar do disco ... E é o Tom Zé que chama atenção... Isso é ridículo!
Ogro diz:
Tom Zé é o ícone maior dos “pseudo-antenados”... Midiaticamente falando, é claro...
(...)
(...)
(...)
Ogro diz:
Será que é tudo mesmo um só filme?
Artemis diz:
O quê?
Ogro diz:
...a teoria do Selton Mello.....os mesmos personagens e tal..
Artemis diz:
Tem a ver ....
Pode ser que sim... Só sei que o cara é inteligente o suficiente, então ...
Ogro diz:
E o que acha do Selton Mello?
Artemis diz:
Eu gosto do Seltinho...
O cara é bom ator ... Apesar de ele estar sempre com o mesmo cabelo e a mesma barba, independente do personagem, o cara te convence ...
Aliás, perto dele, o Seu Jorge fica ainda mais obviamente farsante...
Ogro diz:
Hehehe.
4.9.07
Like Dean in the movies
Há alguns dias atrás, eu tive um sonho. Estava em um composição cheia de vagões. Sozinho, coloquei o trem em movimento e pulei. Depois de alguns poucos instantes, ouvi as sirenes da Polícia Ferroviária vindo em meu encalço [Sim, ela existe!].
Durante a perseguição, pensei que certamente teria havido um acidente mais adiante. Talvez um encontro com um trem de passageiros. E que isso pudesse ter acarretado algumas mortes...
Naquele instante, veio um sentimento de remorso. Mas o prazer de ter feito algo proibido se contrapunha. E, em minha face, foi surgindo um sorriso indisfarçável por ter deixado putos “os homens da Lei”.
E fui me embranhando por uma floresta que margeava a linha férrea. Correndo, coração acelerado e divagando que as sementes da transgressão que foram plantadas em mim através dos livros e filmes “clássicos” estavam agora germinando.
Fiquei um pouco atormentado ao imaginar que tipo de resultados isso poderia trazer. Afinal, todos me admiram por ser este rapaz bom e pacífico que sou. Contudo, a euforia causada pela “molecagem” que aprontei no sonho era um coisa absurdamente boa!... Se esta quimera é um presságio do Mendelson do futuro, só os fatos poderão comprovar.
Há algum tempo, determinei para mim mesmo que deveria viver a minha vida da forma mais verdadeira possível. O porão de minhas inibições e pavores está sendo revirado. E a cada dia, vejo-me mais iluminado, alegre, confiante e sereno. Com a ajuda de todas as forças, as quais agradeço permanentemente, torno-me, com muita perseverança, quem eu, de fato, sou.
Durante a perseguição, pensei que certamente teria havido um acidente mais adiante. Talvez um encontro com um trem de passageiros. E que isso pudesse ter acarretado algumas mortes...
Naquele instante, veio um sentimento de remorso. Mas o prazer de ter feito algo proibido se contrapunha. E, em minha face, foi surgindo um sorriso indisfarçável por ter deixado putos “os homens da Lei”.
E fui me embranhando por uma floresta que margeava a linha férrea. Correndo, coração acelerado e divagando que as sementes da transgressão que foram plantadas em mim através dos livros e filmes “clássicos” estavam agora germinando.
Fiquei um pouco atormentado ao imaginar que tipo de resultados isso poderia trazer. Afinal, todos me admiram por ser este rapaz bom e pacífico que sou. Contudo, a euforia causada pela “molecagem” que aprontei no sonho era um coisa absurdamente boa!... Se esta quimera é um presságio do Mendelson do futuro, só os fatos poderão comprovar.
Há algum tempo, determinei para mim mesmo que deveria viver a minha vida da forma mais verdadeira possível. O porão de minhas inibições e pavores está sendo revirado. E a cada dia, vejo-me mais iluminado, alegre, confiante e sereno. Com a ajuda de todas as forças, as quais agradeço permanentemente, torno-me, com muita perseverança, quem eu, de fato, sou.
1.5.07
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